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A saída dos Estados Unidos da ITTO e seus impactos ao comércio internacional de madeira tropical e ao Brasil

A saída dos Estados Unidos da ITTO e seus impactos ao comércio internacional de madeira tropical e ao Brasil.

Os Estados Unidos anunciaram oficialmente em 7 de janeiro de 2026 a sua saída da International Tropical Timber Organization (ITTO). A decisão integra uma proclamação presidencial ampla que retira o país de dezenas de organizações internacionais, incluindo entidades vinculadas e não vinculadas às Nações Unidas, e reflete a sua decisão estratégica frente a organismos multilaterais.

Embora a medida não altere as regras que regem o comércio internacional de madeira tropical, representa uma mudança relevante na arquitetura institucional da governança florestal global, sobretudo sob a ótica política e estratégica. Do ponto de vista financeiro, o impacto direto da saída dos EUA sobre o orçamento da ITTO tende a ser limitado, uma vez que o país não é grande importador de madeira tropical e sua contribuição relativa para a organização é modesta quando comparada à de outros membros.

Impactos na governança florestal global

Os principais efeitos da saída dos EUA da ITTO se manifestam no plano institucional e político.

Segundo Ivan Tomaselli, Presidente da STCP Engenharia de Projetos, “embora os Estados Unidos não tenham um peso financeiro expressivo dentro da ITTO, sua retirada como a maior economia do mundo reduz a relevância política da organização e enfraquece sua capacidade de influência em debates multilaterais mais amplos”. O impacto, portanto, está menos na perda de recursos e mais na redução da capacidade da ITTO de atuar como espaço técnico de mediação entre interesses de conservação, comércio e desenvolvimento. Como consequência, “há uma tendência de fragmentação da governança florestal internacional, com maior influência de agendas regionais, decisões unilaterais e critérios regulatórios de cunho mais ambiental pouco harmonizados entre mercados”, complementa Ivan.

O que muda e o que permanece nas regras do mercado norte-americano

Do ponto de vista regulatório, a saída dos Estados Unidos da ITTO não reduz nem flexibiliza as exigências legais que regem o comércio de madeira tropical no país. Permanecem em vigor instrumentos centrais da legislação norte-americana, como o Lacey Act, que proíbe a importação, comercialização e distribuição de produtos florestais obtidos em desacordo com a legislação do país de origem.

O Lacey Act continua impondo obrigações robustas de diligência, rastreabilidade e comprovação de legalidade aos importadores, além de sanções severas em caso de descumprimento. Também seguem válidas as normas comerciais, alfandegárias e fitossanitárias dos Estados Unidos, bem como os compromissos multilaterais assumidos no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Na prática, portanto, o mercado norte-americano permanece exigente e regulado. A mudança é essencialmente política e institucional, não representando uma flexibilização das exigências legais ou dos padrões de sustentabilidade aplicáveis à importação de madeira tropical pelo país.

Implicações estratégicas ao Brasil

Nesse cenário, o Brasil reúne condições para ampliar seu protagonismo político e técnico, fortalecer sua atuação em fóruns multilaterais sobre o tema, contribuir na construção de agendas da bioeconomia florestal e diferenciar seus produtos com base em rastreabilidade, legalidade e sustentabilidade. A capacidade de articular políticas florestais, climáticas e de inserção internacional será determinante para transformar exigências regulatórias em vantagem competitiva.

De acordo com Marcelo Wiecheteck,Head de Desenvolvimento e Projetos Estratégicos da STCP, “esse cenário cria a oportunidade para o Brasil e empresas estruturadas do setor florestal se posicionarem no cenário internacional, não apenas no fornecimento de produtos, mas também no diálogo e construção de soluções institucionais, técnicas e de mercado, capazes de responder às lacunas que poderão ser deixadas por mudanças na governança global”.

Os desafios permanecem, especialmente em um ambiente mais fragmentado após a saída dos EUA da ITTO, marcado por maior complexidade regulatória e por exigências assimétricas entre mercados. Ainda assim, a combinação entre ativos florestais bem manejados, protagonismo em produtos tropicais certificados, experiência técnica e capacidade institucional coloca o Brasil em posição estratégica para capturar valor em um mercado global cada vez mais seletivo.

Riscos e oportunidades para o setor florestal

A ITTO historicamente tem desempenhado um papel central na promoção do comércio internacional de produtos baseados no manejo florestal sustentável (MFS), incluindo o fortalecimento de capacidades técnicas e institucionais em países produtores, e a articulação entre agendas ambientais e comerciais.

A saída dos Estados Unidos da ITTO contribui possivelmente para um ambiente institucional mais fragmentado, no qual exigências regulatórias tendem a se desenvolver de forma menos coordenada.

Ao mesmo tempo, o cenário cria oportunidades para operadores capazes de demonstrar, de forma robusta, legalidade, transparência e boas práticas de manejo florestal. Marisa Diniz, Gerente da Divisão de Consultoria da STCP indica que “o possível enfraquecimento de fóruns multilaterais tradicionais não elimina a demanda por madeira legal e sustentável; ao contrário, reforça a importância de cadeias produtivas sólidas, capazes de comprovar conformidade técnica e governança em um ambiente regulatório cada vez mais exigente”.

A STCP Engenharia de Projetos, através de seu time de inteligência de mercado acompanha e realiza análises abrangentes e criteriosas sobre o mercado global de produtos florestais, bem como sobre as implicações de políticas públicas, regulações e movimentos de mercados para o Brasil e empresas, apoiando seus clientes na tomada de decisões estratégicas em cenários complexos e em constante transformação.

 

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