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Mercado global de celulose: perspectivas de preços, oferta e demanda até 2031

30 de outubro de 2026 Por Marketing STCP

Análise da STCP aponta recuperação gradual dos preços no longo prazo, após um período de pressão provocado pela expansão da capacidade produtiva global.

O mercado global de celulose atravessa um período de ajustes, marcado por oscilações de preços, mudanças na dinâmica de oferta e demanda e expansão da capacidade produtiva, especialmente na América do Sul. Embora o segundo semestre de 2026 apresente sinais de recuperação nas cotações, as perspectivas para os próximos anos indicam um cenário de volatilidade, exigindo atenção dos produtores, investidores e demais agentes da cadeia produtiva, segundo análises realizadas pelo consultor Roberto Bonse, Head da Divisão de Gerenciamento & Negócios da STCP.

De acordo com análise elaborada pelo consultor, em outubro de 2026, o mercado apresenta um movimento de valorização de curto prazo, sustentado principalmente pela redução dos estoques, pelo aumento dos custos de produção em determinadas regiões e pelo fechamento de unidades industriais menos competitivas.

Entretanto, a entrada de novas capacidades produtivas a partir de 2027 poderá alterar novamente o equilíbrio do mercado, com reflexos nas cotações internacionais até o final da década.

Oferta global: expansão da fibra curta e ajustes na fibra longa

A dinâmica de oferta de celulose apresenta comportamentos distintos entre os principais tipos de fibra.

A produção de celulose de fibra curta, predominantemente de eucalipto, segue em expansão, impulsionada por investimentos na América do Sul. O Brasil mantém posição estratégica nesse mercado, beneficiado por sua produtividade florestal e competitividade industrial.

Em 2025, a produção brasileira de celulose alcançou 29,4 milhões de toneladas, crescimento de 6,9% em relação ao ano anterior. As exportações totalizaram 20,7 milhões de toneladas, avanço de 11,6%, segundo dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) apresentados no estudo.

Entre os principais movimentos previstos para os próximos anos, destaca-se o Projeto Sucuriú, da Arauco, em Mato Grosso do Sul, com capacidade projetada de 3,5 milhões de toneladas anuais de celulose de fibra curta e início de operação previsto para o segundo semestre de 2027. Esse empreendimento representa uma das principais adições de capacidade do atual ciclo de investimentos e deverá exercer pressão sobre o equilíbrio entre oferta e demanda em 2028.

Em contrapartida, o mercado de celulose de fibra longa, concentrado principalmente no Hemisfério Norte, enfrenta um movimento de racionalização produtiva, com fechamentos de fábricas e conversões industriais. Essas mudanças podem contribuir para reduzir a disponibilidade global desse tipo de fibra e oferecer sustentação aos preços.

Demanda: China permanece como protagonista do mercado internacional

Segundo o consultor Roberto Bonse, a China continua exercendo papel decisivo na formação dos preços internacionais da celulose, sendo o principal mercado importador e uma referência para as negociações globais.

Em 2025, as importações chinesas de celulose cresceram 7,1%, com destaque para a fibra curta, cujas compras avançaram aproximadamente 9%. Apesar desse desempenho, a expansão da capacidade chinesa de produção integrada de celulose e papel representa um importante fator de atenção. O aumento da produção doméstica pode reduzir gradualmente a dependência de celulose importada, modificando os fluxos comerciais internacionais.

Paralelamente, a demanda global continua sendo impulsionada por segmentos como papéis para fins sanitários (tissue), embalagens e produtos de higiene.

As perspectivas variam conforme o tipo de celulose:

  • Fibra curta (BEKP/BHKP): crescimento estimado entre 2,5% e 3% ao ano, sustentado principalmente pela competitividade de custos e pela demanda de papéis sanitários e embalagens.
  • Fibra longa (BSKP/NBSK): cenário de estabilidade ou leve retração da demanda, acompanhado por ajustes na oferta.
  • Celulose fluff: crescimento aproximado de 2% ao ano até 2028, impulsionado pelo consumo de fraldas, absorventes e produtos de higiene pessoal.
  • Celulose solúvel: perspectivas favoráveis de expansão, associadas à produção de fibras têxteis celulósicas, como viscose e liocel.

Essa diferenciação evidencia a importância de analisar cada segmento de forma individualizada, considerando suas características de consumo, custos e posicionamento competitivo.

Comportamento dos preços: recuperação no curto prazo e pressão em 2028

Após um período de enfraquecimento, o mercado de celulose vem apresentando sinais de recuperação no segundo semestre de 2026.

Na China, o preço da celulose de fibra curta passou de aproximadamente US$ 560 por tonelada, em agosto, para US$ 580 por tonelada, em setembro. Para outubro, foram anunciadas tentativas de reajuste, buscando alcançar US$ 600 por tonelada.

Esse movimento, entretanto, não representa necessariamente o início de um ciclo prolongado de valorização. A recuperação recente está associada principalmente a ajustes de oferta e estoques, enquanto os fundamentos de demanda permanecem relativamente moderados.

As projeções da STCP indicam que a ampliação da capacidade global poderá exercer nova pressão sobre os preços, especialmente em 2028.

Projeções para a celulose de fibra curta na China

No cenário-base desenvolvido pela STCP, a queda projetada para 2028 está relacionada, principalmente, à entrada de novos volumes de produção no mercado internacional.

A partir de 2029, a expectativa é de uma recuperação gradual, condicionada ao crescimento da demanda em ritmo superior ao aumento líquido da oferta.

Essas estimativas representam cenários prospectivos e podem variar conforme a evolução das condições macroeconômicas, dos custos de produção, da demanda e da implantação de novos projetos industriais.

Principais fatores de risco e oportunidades para o setor

O comportamento futuro dos preços dependerá da combinação de fatores estruturais e conjunturais.

Entre os elementos que podem favorecer a valorização da celulose estão a redução da capacidade produtiva em regiões de custos elevados, eventuais atrasos na implantação de novos projetos, o aumento dos custos de madeira e cavacos na Ásia e a expansão do consumo de produtos de higiene e fibras celulósicas.

Por outro lado, a concentração de novos investimentos produtivos entre 2027 e 2028, a crescente integração industrial chinesa e as tensões comerciais internacionais representam riscos para a recuperação dos preços.

No contexto brasileiro, a taxa de câmbio também permanece como variável estratégica, uma vez que sua valorização pode reduzir a receita em reais obtida pelos exportadores, mesmo em períodos de estabilidade dos preços internacionais.

Essas condições reforçam a necessidade de acompanhar não apenas as cotações internacionais, mas também a evolução dos custos de produção, a competitividade regional e os movimentos de investimento da indústria.

Planejamento estratégico em um mercado em transformação

As perspectivas para o mercado global de celulose para os próximos cinco anos indicam um ambiente de mudanças relevantes, no qual a expansão da oferta deverá conviver com ajustes estruturais de produção e crescimento moderado da demanda.

Para empresas do setor florestal e industrial, compreender essas tendências é fundamental para orientar decisões relacionadas à implantação de novos empreendimentos, modernização de unidades produtivas, avaliação de investimentos e planejamento de longo prazo.

A competitividade deverá estar cada vez mais associada à eficiência operacional, à gestão de custos, ao acesso à matéria-prima e à capacidade de adaptação às mudanças dos mercados consumidores.

Nesse contexto, análises de mercado e projeções de preços constituem instrumentos importantes para reduzir incertezas e apoiar decisões estratégicas.

A STCP atua no desenvolvimento de estudos técnicos, econômicos e estratégicos que contribuem para a avaliação de oportunidades, a estruturação de investimentos e a competitividade de empreendimentos dos setores florestal e industrial.

Por meio de uma abordagem integrada, que considera aspectos mercadológicos, técnicos e econômicos, a STCP apoia organizações na identificação de riscos, oportunidades e perspectivas de desenvolvimento sustentável de seus negócios.

Fonte: elaborado por Roberto Bonse, Head de Gerenciamento & Negócios da STCP — Preços de Celulose de Mercado, outubro de 2026.

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